Sempre tento mapear os meus sentimentos. Raríssimas vezes não soube como traduzi-los, ainda que através de olhos, de lábios, silêncio, águas...

07
Abr 09



As janelas das áreas de serviço, do prédio onde moro, emolduram mulheres das quais nem é difícil imaginar-lhes a vida. Os não-acontecimentos e o cansaço cultivados no passar dos dias.

                        Como um observador de almas, às vezes, me pego devorando suas agendas diárias, sem surpresas. Sexta-feira é o dia das grandes faxinas e pequenas lavações de roupas, mormente, os tênis, uniformes e meias. Ao final do dia, grandes cansaços, o olhar perdido, o telefone mudo e sem convites. O lazer que lhes resta é a vista para o rio e a visão privilegiada do dirigível que passeia no céu, sem pressa.

                        Também não é difícil imaginar as suas noites. O marido voltando do trabalho, cerveja gelada, queijo cortado em cubos e azeitonas, que garantem o repouso do guerreiro. Afora isso, a tentativa do resgate da mulher, o ressurgimento dos arrepios, o corpo quente e sem cansaço. A vontade de olhar para a cama e enxergar outros propósitos, senão a vontade de cair feito pedra em leito de rio.

publicado por STELLA TAVARES às 01:03

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