Sempre tento mapear os meus sentimentos. Raríssimas vezes não soube como traduzi-los, ainda que através de olhos, de lábios, silêncio, águas...

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Abr 09

 

     Quando descobri que amor não correspondido fazia doer o peito, decidi que nunca mais desejaria a lua. Havia me apaixonado por um menino de nove anos, de nome Miguel como o arcanjo. Encontrávamos ao acaso, mas isso não impediu em que se transformasse no mais oficial dos romances. Nossos pais eram amigos e, quando nos visitavam, nunca abria mão de servir café àquele gentil homem que elegera como sogro.

      Apesar da péssima fisionomista que sou, guardei nas minhas retinas todas as fisionomias: a do pretenso sogro, da sogra que não se enquadrava em estereótipos, do tio que era padrinho de minha irmã e todos a invejávamos por isso. Depois de suas visitas passávamos o dia trocando amabilidades, sua polidez era contagiante. Uma verdadeira lição de ética, respeito e amizade sincera. Por incrível que pareça, só Neném, testemunha mais presente daquele amor de criança, não reconheci; aquela mocinha de cabelos eternamente presos havia dado lugar à mulher, de uma beleza diferente da que conheci.

       O mesmo aconteceu quando abri a porta e me deparei com o adulto que emoldurava o Miguel da minha infância. Nossos olhos eram os mesmos, mas o que eles diziam era diferente. Não importa. São desses momentos que guardamos em essência, em pequeninos frascos revestidos de veludo.

 

publicado por STELLA TAVARES às 19:15

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