Sempre tento mapear os meus sentimentos. Raríssimas vezes não soube como traduzi-los, ainda que através de olhos, de lábios, silêncio, águas...

15
Mai 09
Minha mãe chegou da rua com uma pequena caixa, toda escrita em japonês. Impossível descobrir o que era. Aos poucos, foi tirando da caixa. Era um despertador japonês. Tocava uma música que mais parecia um sorriso de gueixa. Ficamos encantadas. Meu pai estava fora, a trabalho. Fomos para cama bem cedo. Dormimos no mesmo quarto. Os irmãos maiores trouxeram seus colchões e, meu outro irmão e eu dormimos na cama grande. Estávamos extasiados. Tínhamos em casa um objeto que fora fabricado do outro lado do mundo. Depois de vencermos a ansiedade, dormimos. Quando acordamos, o sol estava alto. Minha mãe achou melhor trocá-lo por outro, menos encantador, mas que despertasse. Pedimos a ela que não o devolvesse. Bastaria enxergá-lo de outra forma, como uma caixinha de música que marca horas, mas não a convencemos. Resoluta, ela voltou à relojoaria e o trocou por um outro que, de tão barulhento, passava as noites dentro do guarda-roupa, para abafar o som ensurdecedor de cada segundo. Mais uma vez minha mãe estava certa. Se tivéssemos transformado o despertador japonês em caixinha de música, para sempre sentiríamos falta de um rodopiar de bailarina.
publicado por STELLA TAVARES às 13:51

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