Sempre tento mapear os meus sentimentos. Raríssimas vezes não soube como traduzi-los, ainda que através de olhos, de lábios, silêncio, águas...

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Mai 09
O céu sempre me pareceu mais claro por aquelas bandas. Curiosamente, quando a chuva se aproximava, torna-se de chumbo denso, juízo final, noite sem lua e sem promessa do raiar de um novo dia. Havia muita alegria e também muito medo: de ciganos, comunistas, partida de mãe, gente autoritária que anestesia a alma da gente e de tarados. E, quando finalmente chovia, todos os temores se agigantavam. Havia a maior de todas as fobias: João Sapo, um homenzinho rechonchudo de pouco mais de um metro de altura, que capinava lotes vagos, refazia cercas, apanhava e guardava lenhas e outras tarefas para as quais era contratado. Carregava sempre dois embornais e, como a imagem de Santo Onofre, as alças cruzavam ao peito e, sobre os ombros carregava foice e enxada. Terminada a empreita, ia-se embora com seus passos curtos enquanto eu, entrincheirada, esperava que ele dobrasse a esquina quando, aliviada, agradecia a Deus pelo final daquele dia. (Extraído do livro "O Adestrador de Sentimentos de Stella Tavares publicado em 2007)
publicado por STELLA TAVARES às 15:18

todos nós precisamos de um adestrador... decerto os poetas precisam mais que o comum dos mortais. por possuírem subtis antenas sensíveis sempre prontas a quebrar, os poetas são como os vidrinhos de cheiro se não adestrarem os seus sentimentos.
jose miguel de oliveira a 25 de Maio de 2009 às 18:06

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