Sempre tento mapear os meus sentimentos. Raríssimas vezes não soube como traduzi-los, ainda que através de olhos, de lábios, silêncio, águas...

02
Abr 09



        O quarto e ela eram sempre os mesmos. Desde a mais tenra infância, até os dias de hoje. Luzia sempre dormiu no mesmo quarto. Filha única, nunca precisou dividi-lo com ninguém. Mantinha impecável aquele pequeno e perfumado ambiente.  Em todas as gavetas, sachês aromáticos e biscuis. Também seu corpo recebia caprichos extremos: sua pele clara, cheirando à lavanda, parecia estar sempre saindo de um longo banho.
        Suas amigas foram-se casando e era sempre convidada para madrinha. Comedida, recatada, não pensava mais em casamento. Como as moças de sua época, tinha um enxoval pronto, bordado por ela, com a ajuda da mãe que era exímia bordadeira.
         De quando em quando, retirava o enxoval do armário e o colocava ao sol para aliviar o cheiro forte de roupa guardada. Por ela, já teria presenteado uma noiva sem recursos, mas foi pela mãe impedida, pois acreditava que a filha conseguiria um pretendente viúvo ou desquitado, que a quisesse desposar e, um enxoval como aquele era raro nos dias atuais.
        Aquele pequeno quarto parecia represar o tempo, naquela casa sem urgências, onde tudo era artesanal, sem conservantes e arroubos. Ali não havia choro, mas, também pouco se ria. As vozes não se elevavam, não existiam sobressaltos, contratempos ou agonias e nem comemorações. Uma vida morna que repelia as mudanças.
        Se o tão esperado viúvo aparecesse, Luzia nem saberia o que fazer com ele e talvez nem mesmo ele se sentisse à vontade, diante daquele imaculado corpo e sem expectativas, em meio a lençóis de linho bordado em richelieu e ponto de cruz.

publicado por STELLA TAVARES às 00:57

Olá Stella! gostei dos teus blogs =)
Obrigada pelo comentário tambem.
Abraços!
Tefy.
=)
Estefanía a 2 de Abril de 2009 às 05:58

Linda Amiga:
Uma narrativa fulgorante, fabulosa e bela. "Saltita" com as palavras em harmonia perfeita e admirável que prende e cativa o leitor.
Admirável. Lindo de ver e ler.
Parabéns sinceros.
As palavras "vivem" com harmonia e bom gosto numa adorável e preciosa emoção de felicidade, pureza e com incrível talento.
Adorei!
Beijinhos amigos de um imenso respeito.
Sempre a admirá-la

pena

Excelente.
Para quando um livro?
Pense nissso, POR FAVOR!.
pena a 2 de Abril de 2009 às 12:18

Querido Pena,
Publiquei este texto no livro"O Adestrador de Sentimentos" que lancei em 2007. Agora decidi ir publicando-o aos poucos, a cada dia.
Obrigada pela visita. Peço-lhe que, por favor, ajude-me a divulgar o meu trabalho.
Com todo o meu carinho.
Beijos da amiga
Stella Tavares

Admirável Escritora Amiga:
Olhe, o que estiver ao meu alcance fá-lo-ei.
Vale a pena revelar o seu enorme talento.
Vou "Linká-la" no meu espaço.
Saudações cordiais o OBRIGADO pela amabilidade.
Beijinhos respeitadores.

pena
pena a 2 de Abril de 2009 às 15:53

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